Saúde e Massagem
Há cerca de um ano atendi, no HFA uma senhorita dos seus

A paciente relatava que já havia passado por Otorrinos, Oftalmo, Neuro, Clínico e até Endocrinologista, com as prescrições dos mais diversos tratamentos e a presunção de várias hipóteses diagnosticas, sem qualquer melhora, entretanto.
Durante sua consulta, entre várias perguntas habituais, questionei o quanto de água ela bebia por dia e de que forma ou seja, com qual periodicidade).
A mesma me afirmou que bebia pouquíssima água, porque não sentia sede, principalmente a noite. Após várias outras perguntas, suspendi todos os medicamentos e disse-lhe que ela precisava apenas tomar água adequadamente, um tanto quanto descrente, ela voltou p/casa.
Após apenas uma semana, retornou referindo que não sentia mais dor de cabeça, que seu intestino funcionava melhor e que sua disposição havia melhorado... Milagre?
Não. Bom senso.

Mudanças ou adequação de hábitos em nossas vidas.
Todos nós sabemos o quanto é importante uma ingestão adequada de água diariamente, mas quase sempre negligenciamos.
Todos os organismos vivos apresentam de 50 a 90% de água em si. O próprio corpo humano é constituído em 70% por água que, em constante movimento, hidrata, lubrifica, aquece, transporta nutrientes, elimina toxinas e repõe energia, entre inúmeras outras utilidades.
Preconiza-se um número de 1 copo de 200ml de água por hora em que se estiver acordado.
Assim sendo, a ingestão de água deve ser independente da sede, constante e rigorosa.
E não adianta deixar para tomar os 2 a 3 litros necessários diariamente de uma só vez. Estudos mostram que o estômago capacita apenas 12ml/kg/hora, ou seja um adulto não conseguirá tomar mais de um litro de uma só vez sem "passar mal".

Se você ainda não se convenceu, observe: desvitalização dos cabelos, descamação do couro cabeludo, distúrbios de concentração, sono e memória, com perda da disposição para realização das atividades diárias, em virtude da circulação cerebral por baixa quantidade de água que faz o sangue ficar mais "viscoso" e "grosso", de circulação mais lenta, ressecamento dos olhos e tecidos das vias aéreas que com baixa umidade, sofrem lesões com mais facilidade por ficarem mais frágeis, assim tornando-se mais propensos a inflamações e infecções (conjuntivites, sinusites, bronquites, pneumonias), lesões da pele com aparecimento de cravos e espinhas pela não eliminação adequada das toxinas via pele e seu acúmulo local, queda e enfraquecimento dos pêlos, baixa produção de saliva, distúrbio no aproveitamento adequado de vitaminas e sais minerais, com excesso em alguns lugares e falta em outros, levando a cãibras, dormências, perdas de força muscular e problemas ósseos dentais, respiração dificultada, por vezes levando à falta de ar, sobretudo nos exercícios físicos, constipação e por vezes, sangramento retal (devido a fezes ressecadas, endurecidas que lesam o tecido intestinal ao moverem-se em seu interior), impotência ou disfunções eréteis ou, no caso das mulheres, sangramentos vaginais.
É certo que há água nos alimentos, mesmo os sólidos, mas a complementação da ingestão diária de água deve ser feita, periodicamente, conforme já disposto.
Uma forma de observar se a quantidade de água é adequada, é observar a cor da urina, que deve ser incolor, quanto mais forte, pouca ingestão de água está sendo feita.

Vale lembrar que é sempre bom evitar bebidas alcoólicas, ou não alcoólicas, que apesar de serem diuréticas evitam que se beba a água.
Evite também, a ingestão de água pelo menos meia hora antes do almoço, para não prejudicar a digestão.
Uma curiosidade: Há trabalhos científicos evidenciando que muitos tratamentos com medicações orais, sobretudo anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal e anti-hipertensivos não alcançam o devido sucesso em virtude da baixa ingestão de água por parte do paciente; isto se deveria tanto à má circulação da substância pelo corpo quanto à má absorção da mesma no intestino, processo este dependente da água como veículo de transporte para a substância. 

Ícaro Alves Alcântara
Médico docente da disciplina SEMIOLOGIA para os alunos da Fisioterapia do UNICEUB - Centro Universitário de Brasília.
Revista UNICEUB - Ano IV - Abril 2003 - Nº 8

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