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USP pesquisa veneno de escorpião e diabetes

Uma pesquisa ainda em fase inicial poderá, no futuro, tornar-se uma nova esperança de cura ou, pelo menos, de melhoria de qualidade de vida para muitos diabéticos. A Universidade de São Paulo, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e colaboração da Universidade de Perugia, na Itália, está estudando os efeitos do veneno de escorpião na proliferação das ilhotas de Langerhans, responsáveis pela produção de insulina.

Esse fenômeno foi observado pela primeira vez por uma cientista baiana, Geóvana Novaes, hoje aposentada. Ela estava estudando a pancreatite, inflamação do pâncreas provocada pela injeção de veneno em ratos de laboratório, quando verificou que ele estava também provocando proliferação exagerada das ilhotas, relata a bióloga e imunologista Anna Carla Goldberg, integrante da equipe encarregada do estudo no Instituto de Química da USP.

A equipe ainda está sendo formada. É preciso, explica a pesquisadora, fazer a purificação e o fracionamento do veneno, que tem centenas de compostos diferentes, para descobrir qual ou quais elementos conduzem à proliferação. Esse veneno é extraído das espécies brasileiras Tityus bahiensis e Tityus serrulatus e são necessárias centenas de exemplares para se conseguir quantidade suficiente para testar em animais e em ilhotas.

O trabalho da equipe requer também a purificação das ilhotas, que correspondem a cerca de 2% do volume total do pâncreas. O Instituto de Química já vinha fazendo essa purificação, para permitir que o Brasil também realize, junto com uma centena de outros centros médicos no mundo, o transplante de ilhotas, atualmente em testes como alternativa para a cura do diabetes. Aqui, esse tipo de transplante só foi realizado em uma paciente até o momento. 

Recentemente, o grupo de pesquisadores recebeu financiamento da Finep no valor de R$ 2,3 milhões e está estruturando o Núcleo de Terapia Celular e Molecular (Nucel), que contará com um novo prédio a ser construído em terreno da Cidade Universitária e com a ampliação da equipe. A intenção, assim que possível, é passar dos testes in vitro para o estudo em animais de laboratório.

Segundo Anna Carla, a perspectiva é que, quando a pesquisa trouxer resultados comprovados, o veneno do escorpião possa ser utilizado na multiplicação das ilhotas para aumentar a oferta desse material para o transplante ou tratamento de pacientes diabéticos. 

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